Você já deve ter ouvido e lido várias vezes em cursos, palestras, livros e outros meios onde os especialistas tentam nos ajudar a provocar uma mudança em nossas vidas: “Tome uma atitude!”, “Aja e as coisas acontecerão” ou ainda “Atitude é tudo!”. Até mesmo marcas de materiais esportivos – como a Nike – têm lá os seus slogans do tipo: “Just do it (apenas faça)”. Por sua vez, os meios de comunicação nos estimulam com seus heróis do esporte. Homens e mulheres de aço batendo recordes, ultrapassando limites, enfrentando a dor e o cansaço para vencer os desafios. As revistas e jornais usam histórias de empreendedores vitoriosos que através da ação, do enfrentamento das dificuldades arriscaram tudo para vencer na vida e virar capa da Revista Exame. Quantos cursos, seminários e workshops existem onde as pessoas são submetidas às mais excêntricas práticas e dinâmicas para que possam vivenciar situações de estresse com a promessa de que depois de todas aquelas sessões de tortura e lágrimas sairão de lá como vencedores e capazes de tomar qualquer atitude.
Atitude é fundamental. O nosso comportamento determina os nossos resultados. A pergunta que se faz necessária: como faço para ter atitude? Como fazer para mudar os comportamentos? A resposta que qualquer pessoa que tenha lido um livro sequer de auto-ajuda ou feito aquele curso histérico de fim de semana dirá é: ter desejo. Sim, é preciso desejo, vontade, o querer. É esta a energia motora que nos dá a capacidade de movimento e ação.
Pronto. Problema resolvido. Agora, basta eu querer e as coisas vão acontecer. Aliás, algumas teorias pseudocientíficas prometem que basta querer e visualizar – única atitude necessária – e você obterá o que deseja. Não são necessários muitos anos de experiência para saber que não é assim que os resultados desejados acontecem em nossa vida. Desde criança aprendemos que só desejar não é o suficiente para as coisas acontecerem. Mesmo com muito desejo, vontade e até alguns esforços as pessoas continuam tendo dificuldade de parar de fumar, perder peso, ganhar dinheiro, salvar o casamento e resolver minimamente os problemas do dia-adia. Desejo não basta. Gritar no ouvido da pessoa durante o fim de semana dizendo “tenha atitude, tenha atitude!” não fará com que ela mude e faça algo diferente na segunda-feira.
Ao longo de 20 anos estudando, pesquisando e experimentando ferramentas e técnicas sobre o comportamento humano, a conclusão é que são necessários três elementos para a mudança: desejo – força fundamental no processo de mudança e melhoria pessoal; saber como provocar e produzir esta mudança e a construção da permissão em um nível inconsciente. Estas são as chaves para que a mudança ocorra de forma saudável e consiste. Permissão: esta é provavelmente a mais importante descoberta sobre processos de mudança pessoal dos últimos tempos.
Quando falamos em mudança pessoal, estamos pensando nos resultados que desejamos para a nossa vida. Os resultados dependem das nossas escolhas e atitudes. Pergunta: como fazemos as escolhas que produzem os nossos comportamentos?
Ao nos basearmos no trabalho de Robert Dilts, hoje considerando o mais importante pesquisador e autor de mais de 20 livros sobre Programação Neurolinguística (PNL), disciplina que estuda o comportamento humano, citamos o seu trabalho sobre os Níveis Lógicos. Segundo Dilts, todo Comportamento acontece em determinado Ambiente. E este comportamento se dá em função de uma Capacidade desenvolvida através de experiências na vida. As pessoas se sentem motivadas e se permitem usar suas capacidades em função das Crenças. E as crenças que temos sobre a vida, saúde, família, amor, dinheiro, trabalho e etc. formam a nossa Identidade. Portanto, para que se possa ter determinado comportamento é necessário possuir a respectiva capacidade emocional e intelectual. E a força motivadora e que nos dá a permissão para acessarmos esta capacidade chama-se crença. Por exemplo, alguém que tem como missão dar uma palestra, por mais que conheça o assunto, só conseguirá ter acesso a este conhecimento em seu cérebro para falar à platéia (comportamento) se estiver emocionalmente equilibrado (capacidade). Para esta pessoa sentir-se tranquila e motivada precisará acreditar (crença) em si mesmo e na importância de sua fala. Como se pode observar é a crença que definirá um limite para o desempenho da pessoa. Uma crença limitante sobre sua capacidade ou sobre a importância da palestra, por exemplo, poderá fazer com que o palestrante sinta-se nervoso e, por consequência, incapaz de fazer o seu trabalho. O que definirá o resultado.
Onde e quando formamos as nossas crenças? A maior influência recebida vem dos nossos pais ou as pessoas que nos criaram. Assim, se levarmos em conta que um adolescente fica no mínimo até os 18 anos na casa dos pais compartilhando suas crenças e seus modelos de vida, temos mais de 100 mil horas de treinamento, de exposição às ideias e experiências dentro da família. Como diz Augusto Cury, psiquiatra, em seu livro “O código da Inteligência: “Estamos na era do treinamento, treina-se para praticar esportes, andar, dançar, calcular, escrever, contar histórias, encenar uma peça”. Enfim, para aprendermos algo se treina o maior tempo possível. Imagine um treinamento de mais 100 mil horas, o que é possível aprender?
As crenças podem muitas vezes se configurar na mais nefasta das prisões. Uma prisão mental que limita a nossa evolução, as mudanças que desejamos, enfim, a nossa felicidade. A próxima e mais importante pergunta é: qual é chave para nos libertamos desta prisão?
As crenças que construímos ao longo de nossa existência são responsáveis pelo julgamento que fazemos a respeito de nós mesmos e do mundo que nos rodeia. Crenças são regras que estabelecemos para nós mesmos. O nosso comportamento é regido por este conjunto da regras. Assim, se acreditarmos que a educação tem valor, é importante, vamos nos guiar pela vida e faremos as escolhas baseadas nesta e em outras crenças. Da mesma forma, se aprendemos que dinheiro é algo “sujo”, que não se deve pegá-lo com as mãos ou, ainda, se acreditamos que somente pessoas que trapaceiam ou fazem negócios ilícitos é que possuem riqueza financeira dificilmente tomaremos atitudes em direção ao ganho de dinheiro além do suficiente.
Segundo a Encyclopedia of Systemic Neuro-Linguistic Programming, Robert Dilts e Judith DeLozier (pág. 97): “Crenças são consideradas um dos mais importantes e fundamentais níveis de aprendizagem e mudança em PNL (Programação Neurolinguística). Crenças determinam os significados dos eventos em nossa vida dando suporte para as nossas capacidades e comportamentos”. Podemos dizer que se o cérebro é o hardware, a parte física de nosso sistema nervoso, as crenças são o software que fazem o cérebro funcionar. Um dos maiores exemplos sobre como as crenças agem sobre a nossa permissão e motivação é o que a ciência chama de “efeito placebo”. O placebo é como se denomina um fármaco ou procedimento falso que apresenta efeitos terapêuticos no paciente em função da crença do mesmo de que ele está sendo tratado com remédios verdadeiros. Esta é uma prova inexorável do poder das crenças. A questão é que muitas dessas crenças são limitantes, nos impedem de evoluir e ter uma vida plena de realizações. São as crenças que nos dão a permissão e a motivação para fazermos o que desejamos fazer. Assim, fechamos a tríade da mudança: desejo + saber como + permissão. E se fazemos rodar em nosso hardware este programa que nos limita, como atualizá-lo e modificá-lo?
Neste ponto, recorremos ao gênio Albert Einstein: "We cannot solve our problems with the same level of thinking that created them." Ou seja, Nós não podemos resolver um problema no mesmo nível em que ele foi criado. Lembrando os níveis lógicos, temos:
| Nível Lógico |
| Universo |
| Identidade |
| Crença |
| Capacidade |
| Comportamento |
| Ambiente |
Como vemos nos níveis lógicos acima, para mudarmos nossas crenças, atualizarmos as nossas regras sobre nós mesmos e o mundo, enfim, para conquistarmos a Permissão e a Motivação necessárias para mudarmos o que desejamos mudar, será necessário fazermos uma intervenção no nível de identidade. Ou seja, mudarmos a visão e o julgamento que fazemos sobre nós mesmos e assim responder de outro jeito esta pergunta: Quem eu sou?
Se continuarmos respondendo esta pergunta da mesma forma ou obtendo respostas de um jeito confuso, significa que ainda temos o mesmo conjunto de crenças limitantes sobre nós ou até, o que poderá ser mais grave, estamos vivendo um conflito de identidades. Nestes casos, a mudança poderá ser desejada e você até poderá saber como fazê-la, mas o seu inconsciente não dará a permissão para que a mudança ocorra.
Marcos Brasil Moraes, Master Trainer em PNL e Coach da Escola Livre para o desenvolvimento humano:
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